O maestro Álvaro Cassuto faleceu recentemente em Cascais, no dia 6 de abril de 2026. Ele foi, inegavelmente, um dos vultos mais influentes da música portuguesa nos séculos XX e XXI. A sua vida pessoal ajuda a explicar a dimensão cosmopolita de uma carreira brilhante. Nascido no Porto em 1938, Cassuto cresceu num ambiente marcado pela cultura e pela música. Além disso, a sua identidade foi moldada pela diáspora judaica e por uma ligação profunda à Europa Central.
As raízes sefarditas e a herança familiar
A família Cassuto possui raízes sefarditas muito antigas em Hamburgo. O pai do maestro, Alfonso Cassuto, fugiu da Alemanha nazi para Portugal antes do nascimento do filho. Por conseguinte, Álvaro nasceu num lar onde a memória do exílio e a curiosidade cultural eram fundamentais. A sua educação doméstica valorizava sempre a música e a tradição familiar germânica. Portanto, Cassuto tornou-se um músico “entre mundos”. Ele era português pela formação, mas herdeiro de uma herança europeia complexa.
Formação internacional e carácter ambicioso
Antes de se afirmar na música, Álvaro Cassuto estudou Direito na Universidade de Lisboa. No entanto, a sua verdadeira vocação levou-o a estudar direção em Viena, Berlim e Hilversum. Este percurso internacional revela uma personalidade disciplinada e muito ambiciosa. O maestro desejava construir uma carreira fora dos circuitos estreitos da música nacional da época. Posteriormente, Cassuto chegou a Nova Iorque, onde consolidou o seu prestígio. Contudo, decidiu voltar a Portugal para criar e renovar orquestras locais.
Uma missão cultural e identitária
Sobre a sua vida privada, destaca-se a centralidade da família de origem. Sobretudo, a figura de Alfonso Cassuto e a ascendência sefardita marcaram a sua presença pública. Além disso, o maestro assumiu a música como um verdadeiro projeto civilizacional. O seu grande esforço focou-se na internacionalização da música portuguesa em todo o mundo. Consequentemente, o retrato que emerge é o de um homem de rigor e de grande missão cultural. Em suma, o seu legado simboliza a união entre a tradição clássica e o talento português.
