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Belenenses vence Direito e conquista bicampeonato nacional

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O Belenenses celebrou o primeiro título de bicampeão nacional de râguebi em 97 anos da modalidade no clube ao som de Mafalda Veiga e com o pensamento no ‘tri’, mas o treinador recusou falar em hegemonia.
“Quando começarmos a falar em hegemonia, vamos começar a perder”, atirou João Mirra, em declarações à agência Lusa, instantes depois de receber a medalha de campeão das mãos do presidente do próprio Belenenses, Patrick Morais de Carvalho.
Os ‘azuis’ venceram o Direito por 47-3, em partida da sexta jornada, ronda em atraso que encerrou a Divisão de Honra, para somarem o terceiro título de campeão nacional nas últimas quatro épocas.
A vencer ao intervalo por 21-3, o quarto ensaio, aos 53 minutos, dos sete com que os ‘azuis’ bateram o Direito, precipitou o início dos gritos de “bicampeão” na pequena bancada do Belém Rugby Park, insuficiente para acolher os cerca de 1.000 adeptos que tiveram de se espalhar em redor do relvado.
No final, para surpresa de um antigo jogador do clube, Sebastião da Cunha, ‘responsável’ pela tradição que existe no râguebi do Belém, de cantar “Restolho”, de Mafalda Veiga, em momentos de conquistas importantes, a própria cantora juntou-se à festa.
Mafalda Veiga cantou à capela, com jogadores, dirigentes e adeptos, em pleno relvado, e celebrou uma conquista que a equipa do Belenenses “quase sentiu que era uma obrigação nalgumas fases da época”, comentou João Mirra.
“Não era, porque no desporto não é [obrigação], principalmente quando disputamos o título contra equipas tão competentes”, reconheceu o técnico.
É que o Cascais chegou a esta jornada ainda com aspirações ao título e fez a sua parte, na vista ao CDUL, ao vencer por 31-5.
Mas os cascalenses estavam dependentes de um deslize do Belenenses, que não se concretizou, uma semana depois de terem perdido em casa (35-30) um desafio entre as duas equipas, que acabou por funcionar como uma final, na época em que o campeonato nacional de râguebi deixou de ter play-off.
“Somos justos campeões, mas se o Cascais fosse campeão, também era justo”, frisou o treinador dos ‘azuis’.
O encontro de há uma semana, na Guia, deixou o técnico bicampeão nacional sensibilizado “pela forma como o Cascais recebeu” o adversário, “após uma derrota dura”, que, praticamente, adiou o sonho de voltarem a celebrar um título de campeão 29 anos depois.
“A maneira como eles nos receberam foi algo que nos faz acreditar que este desporto ainda é diferente e quero dar-lhes os parabéns. Quando se perde assim, vem ao cimo o que as pessoas e um clube são. Queria agradecer ao Cascais, foi uma lição para nós”, reconheceu o treinador.
A festa dos adeptos ‘azuis’ ainda estava no início, no final de uma época em que “alguns jogadores trabalharam no limite do que é razoável fisicamente”, por isso, Mirra ainda não quis ouvir falar do ‘tri’.
“Agora é para festejar, só festejar”, retorquiu, confrontado pela agência Lusa com as palavras do capitão de equipa, que afirmou, instantes antes, que, após celebrar, chegará a altura de “colocar o foco no próximo ano, já a pensar no ‘tri’”.
“É incrível, ao fim de 97 anos de história conseguirmos esta conquista para o clube. Temos vindo a fazer um muito consistente, já escrevemos a história da primeira Taça Ibérica do clube, do primeiro bicampeonato e agora é já a pensar em sermos tricampeões”, apontou Tomás Sequeira.
O Belenenses foi o primeiro campeão nacional de râguebi, em 1959, mas apenas hoje conseguiu o seu primeiro bicampeonato, um feito que, até aqui, tinha sido conseguido apenas por Benfica, CDUL, Cascais e Direito.
A conquista representa o 10.º título de campeão nacional do Belenenses e o primeiro bicampeonato do seu historial, após os triunfos de 1959, 1963, 1973, 1975, 2003, 2008, 2018, 2022 e 2024.

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