Os dragões consideram que o presidente do Conselho de Arbitragem já não reúne condições para continuar no cargo. O clube também responsabiliza a liderança da Federação Portuguesa de Futebol pela crise que atravessa o setor.
A crise da arbitragem portuguesa voltou a estar no centro das atenções, depois de o FC Porto ter aproveitado a Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), realizada a 31 de outubro, para reforçar as críticas à atual estrutura da arbitragem.
Representado pelos vice-presidentes Tiago Madureira e João Borges, o clube portista voltou a defender a suspensão temporária de Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, considerando que este deixou de reunir condições para permanecer no cargo.
Na posição apresentada pelos dirigentes portistas, a continuidade de Luciano Gonçalves representa um fator de instabilidade e de perda de credibilidade para a arbitragem, os árbitros e as próprias competições nacionais.
O FC Porto entende que uma eventual suspensão temporária não deverá ser interpretada como um reconhecimento de culpa, mas antes como uma medida de responsabilidade institucional enquanto decorrem os esclarecimentos sobre os episódios que têm colocado a arbitragem portuguesa sob pressão.
Críticas dirigidas a Pedro Proença
As críticas dos dragões não ficaram limitadas ao presidente do Conselho de Arbitragem. Pedro Proença, presidente da FPF, também foi diretamente visado pela intervenção dos representantes do clube.
O FC Porto considera que a Federação não tem apresentado uma resposta suficientemente firme perante os problemas que afetam o setor e questiona a capacidade da atual liderança para concretizar a reforma da arbitragem anunciada durante o processo eleitoral.
Os dirigentes portistas apontaram ainda problemas na Direção Técnica Nacional, a saída de vários responsáveis e contradições na comunicação institucional da Federação.
Na sua intervenção, o clube classificou a reforma da arbitragem, anunciada como uma das principais bandeiras eleitorais de Pedro Proença, como um dos maiores fracassos políticos da atual presidência.
Investigação aumenta pressão sobre a arbitragem
O contexto desta contestação está relacionado com as notícias sobre uma investigação da Polícia Judiciária a alegadas interferências nos processos de nomeação de árbitros para jogos do futebol profissional.
A investigação teve origem em denúncias relacionadas com alegadas pressões e promessas envolvendo responsáveis da arbitragem. Entre os episódios noticiados encontra-se a nomeação de Fábio Veríssimo para o encontro entre FC Porto e Benfica, disputado em janeiro, para a Taça de Portugal.
O FC Porto rejeitou qualquer interferência nas nomeações e afirmou publicamente que se limitou a manifestar a sua posição institucional sobre uma escolha que considerava problemática.
Importa sublinhar que as suspeitas divulgadas no âmbito deste processo não equivalem a responsabilidades criminalmente comprovadas.
Uma crise que continua sem solução
A posição assumida pelo FC Porto demonstra que o clube não pretende deixar cair o assunto e que continuará a exigir explicações à estrutura federativa.
A arbitragem portuguesa enfrenta, assim, um período de forte contestação, com questões relacionadas com a transparência, a independência das nomeações e a confiança dos clubes nas instituições que regulam o futebol nacional.
Para já, o confronto entre o FC Porto, o Conselho de Arbitragem e a presidência da FPF continua aberto, sem que esteja à vista uma solução para uma crise que ultrapassa as fronteiras de um único clube e afeta a credibilidade do futebol português.










