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Paulo Jorge Bento deixa CA Pêro Pinheiro

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Chegou ao fim a ligação entre o treinador Paulo Jorge Bento e o CA Pêro Pinheiro, equipa que integra a Série C do Campeonato de Portugal. JORNAL DESPORTIVO falou com Paulo Jorge Bento que abriu o coração na hora do adeus ao clube da capital portuguesa do mármore.

– Como surgiu a possibilidade de liderar a equipa técnica do CA Pêro Pinheiro?

– O presidente que tinha assumido funções recentemente, João Carlos Mouxeira, é uma pessoa por quem tenho a maior estima. Uma excelente pessoa, séria e dedicada ao CAPP. Já tinha colaborado com ele e com o CAPP numa outra altura. A equipa estava num período de aflição e conseguimos ficar no Campeonato de Portugal. Quando? Foi por altura da Covid-19…

– E como conseguiu aguentar a equipa?  

– Ainda tivemos espaço temporal e alguma disponibilidade financeira para garantir a aquisição de jogadores com experiencia e competência para disputar um campeonato dificílimo onde pontificavam equipas como, por exemplo, Torreense, Alverca, União Santarem e Caldas. Tivemos ajuda de pessoas que eu conhecia e que colocaram jogadores no clube com muita competência e por valores baixos.

– Sempre sentiu que a equipa se iria aguentar?

– Nessa época, colocou em dúvida se o clube continuaria no Campeonato Nacional ou desceria de imediato aos distritais. Decidiu-se continuar no CNS através da pessoa que ficou a liderar os destinos do clube, o presidente João Carlos Mouxeira, pessoa que muito estimo e que me convidou para treinar o CAPP. Foi um desafio muito difícil, pois estávamos com muitos problemas para resolver por isso não era fácil aceitar o convite, mas aceitei pela estima que tenho pelo presidente e por o clube estar a viver momentos difíceis…

– Diferente desta temporada?

– Este ano as coisas estavam muito mais complicadas, senão vejamos… A Direcção que terminou o seu trabalho, não renovou com nenhum jogador. A época arrancou com um atraso de três semanas em relação a todas as equipas do nosso campeonato.

– Tempos difíceis…

– Sem dúvida, começamos a trabalhar a três semanas do arranque do campeonato.

– Quanto jogadores tinha no plantel no arranque da temporada?

– Não tinha um único jogador. Foi necessário procurar jogadores que pudessem estar interessados em abraçar um desafio extremamente difícil e que estivessem ainda livres pois quando demos inicio ao recrutamento, os jogadores que nos interessavam já estavam colocados em outros clubes, mesmos os que tinham terminado a época anterior no CAPP. Alguns jogadores, com experiência neste campeonato recusaram, outros não sentiram confiança no clube em virtude de ter acusado instabilidade diretiva, outros porque os valores oferecidos não eram suficientes para os poder fazer pensar.

– Quais a medidas que tomaram?

– Bom, tivemos de recorrer a jovens jogadores que tivessem competência e vontade de trabalhar no sentido de apostarem na sua promoção e valorização.

– Como foram as contratações?

– Recrutámos jogadores na 1.ª, 2.ª, 3.ª divisões distritais, juniores, sub-23, fizemos experiência de jogadores nas sessões de trabalho o que se torna naturalmente difícil de encontrar algum potencial em jogadores que se sujeitavam para este efeito. Desta forma, em semana e meia reunimos um lote de jogadores com potencial para se poder trabalhar e almejar atingir objetivo final que será a manutenção. São jogadores muito jovens mas com potencial para adquirirem a maturidade necessária para saberem caminhar neste difícil Campeonato Nacional onde pontificam equipas profissionais e com excelentes infraestruturas.

– E apesar de tudo aceitou o desafio do CAPP…

– Sim, conhecia todos estes problemas, sabia o risco que estava a correr e corri anos antes em igual experiência em determinado momento difícil do CAPP e onde todos juntos alcançamos o sucesso. Por isso, mais uma vez acedi ao convite feito pelo presidente João Carlos Mouxeira. Acima de tudo, aceitei por gostar do CAPP, onde fui jogador e treinador, e pela estima que tenho por João Carlos, excelente pessoa, séria, com valores e excelentes princípios de vida além de grande paixão pelo seu clube. Sempre que o CAPP necessitar da minha colaboração estou e estarei disponível pois nunca me esqueço onde comecei a minha vida como treinador e quem depositou confiança nas minhas qualidades como profissional, cheguei à Liga fazendo parte de equipas técnicas profissionais. Passei por experiências incríveis em Portugal e lá fora.

– Guarda o clube no coração?

– Claro! O CAPP estará sempre no meu coração. Estarei sempre pronto para colaborar com clube, especialmente em momentos de aflição.

– Qual o momento que guarda desta temporada?

– A equipa fez História no clube ao eliminarmos o Feirense da 2.ª Liga em jogo da Taça de Portugal. Disputamos o jogo de forma muito dignificante e com brio, mostrando qualidades e potencial. Iniciamos o campeonato com uma vitória fora que acalentou esperança para o futuro. No entanto, as lesões com intervenções cirúrgicas de dois nossos jogadores (Cuco e Bernardo) e outras lesões a nível traumático (Quinaz)(Diogo Baião) trouxeram instabilidade à equipa.

– Em que situação deixa o CA Pêro Pinheiro?

– A equipa é muito competitiva e luta sempre até aos limites das suas capacidades. Mostra, no entanto, um défice acentuado na zona de finalização marcando muito poucos golos, fruto de necessidade de um jogador maduro, experiente e com à vontade naquela zona do campo. Muitos resultados pela margem mínima (1-0) mostram isso mesmo, muito pouca eficácia na finalização, não porque não trabalhassemos nesse sentido mas porque havia dificuldade em termos jogadores com características diferentes e esses jogadores são caros.

– Encontro fragilidades na equipa?

– Esta equipa, tem debilidades normais de equipa jovem, mas tem potencial e honra o CAPP nunca foi humilhado por nenhuma equipa deste campeonato e fez História no clube. A equipa cresceu muito e tem espaço para crescer mais, lutar e atingir a manutenção, pois tem neste momento mais conhecimento deste campeonato e dos seus intervenientes.

– Acredita na manutenção?

– Foi difícil iniciar o processo, neste momento estão muito melhores e com trabalho com certeza irão lutar lado a lado com outras equipas e atingir a manutenção a partir deste início de 2.ª parte do Campeonato, é este o meu desejo. Saio de consciência tranquila. O trabalho estava a ser bem feito em conjunto com jogadores, equipa técnica e todo o staff directivo. Potenciei jogadores que no futuro poderão ser muito importantes para o CAPP.

– Como é a relação com o clube?

– Será sempre de excelência com todos, dirigentes, sócios, simpatizantes e acima de tudo com os jogadores que irei continuar a apoiar e incentivar para bom desempenho no sentido de poderem continuar a dignificar e honrar os pergaminhos do clube. Agradeço a todos aqueles que colaboraram comigo e equipa técnica ao longo destes meses, direcção, apoio logistico, departamento médico, area administrativa, área de comunicação e imagem, sócios, simpatizantes e demais colaboradores.

– Quer deixar uma palavra de reconhecimento a alguém?

– Agradeço a oportunidade. Palavra final para um Homem que merece todo o apoio dos sócios e simpatizantes. Quem? O presidente João Carlos Mouxeira, um Homem que luta intransigentemente pela defesa do CAPP, Homem sério, corajoso, com princípios de vida e valores que o CAPP e o futebol necessita de preservar. Chegámos ao fim deste ciclo com um acordo efetuado de forma natural com a simplicidade que os Homens de bem necessitam de ter nestes momentos com seriedade e com a certeza de que o mais importante é a Instituição e os nossos valores, consciente de que o trabalho desenvolvido foi bem feito dentro das condições gerais que tínhamos e que nos ofereceram. Com o problema difícil em que o clube estava mergulhado não lhe voltei as costas. Coragem e muita força, presidente, estarei sempre a torcer pelo seu sucesso e do CAPP.