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Paulo Parracho: «Subida? 1.º Dezembro pode ter uma palavra a dizer»

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O presidente da União das Freguesias de Sintra, Paulo Parracho, é a imagem da confiança sintrense relativamente à participação do 1.º Dezembro na Fase de Subida à Liga 2. Em entrevista ao JORNAL DESPORTIVO, Paulo Parracho analisou, sem rodeios, os próximos desafios do histórico clube de Sintra, fundado já no longínquo ano de 1880.

– Surpreendido com a campanha do 1.º Dezembro apesar de jogar em Massamá?

– A época do 1.º Dezembro está a ser verdadeiramente surpreendente. O apuramento para a fase de subida à II Liga e a manutenção antecipada na Liga3 ultrapassou todas as melhores expectativas, uma vez que a equipa de São Pedro de Sintra era a menos favorita, a que dispõe de menor orçamento e a única que é obrigada a disputar os seus jogos fora de casa por não dispor de relvado natural.

– Concorda?

– É uma situação absurda que nem nos países mais ricos da Europa se verifica. Mas em Portugal somos sempre muito exigentes com o que menos importa e, como tal, numa Liga 3 não se pode jogar em relva sintética, mas o mesmo já é permitido na Taça de Portugal, mesmo que o adversário seja um clube de I Liga. Para além disto, na série do 1.º Dezembro figuravam nomes histórico do futebol português, como o Belenenses, Académica, Atlético, Sporting da Covilhã e ainda o Sporting B. O 1.º Dezembro foi grande, muito grande, provando que não são os orçamentos elevados que ganham jogos, mas sim a boa organização, a escolha acertada de jogadores e equipa técnica, para além da raça e determinação de todos. Aliás, o facto de o Mister João Nunes ter sido agora recrutado pelo Belenenses, prova bem  que foi o homem certo no lugar certo, garantindo a manutenção na época transata e o inédito apuramento para esta fase de subida na presente temporada.

– Confiante com a subida à Liga 2? 

– A subida à II Liga seria um feito inédito, mas tendo em conta todas as vicissitudes do nosso futebol, será muito difícil de atingir para um clube com a dimensão do 1.º Dezembro.

– A saída de João Nuno para o Belenenses pode complicar a estratégia do 1.º Dezembro?

– A saída da equipa técnica que tão bons resultados alcançou é também um fator que pode pesar no rendimento futuro da equipa, apesar de quem o vai suceder também ter a competência necessária para continuar este excelente trabalho. No entanto, nesta fase, em que não há nada a perder, tudo é possível. Sabemos que existem algumas dificuldades financeiras por via de alguma instabilidade na estrutura de investidores na equipa principal do clube, mas esta é uma janela de oportunidade que certamente vai ser aproveitada para captar novos apoios para o 1.º Dezembro, dotando a equipa das ferramentas necessárias para dignificar a camisola, a freguesia e o concelho de Sintra nesta fase tão importante. As restantes equipas certamente vão apostar forte na subida, mas o 1.º Dezembro não poderá entrar em loucuras, sob risco de hipotecar o seu futuro. Agora, uma coisa também é certa: não me parece haver grande diferença de qualidade no bom futebol praticado por todas estas equipas, pelo que, se não houver fatores estranhos, o 1.º Dezembro pode ter uma palavra a dizer…

– Como tem correspondido a população ao êxito do 1.º Dezembro?

– Os sócios e adeptos do 1.º Dezembro são bastante entusiastas no apoio à equipa. No entanto, o facto de os jogos serem disputados fora de São Pedro de Sintra afastou os adeptos mais antigos e os mais idosos, o que é uma pena. Esperemos que as obras de remodelação no Campo Conde Sucena possam devolver o 1.º Dezembro a São Pedro de Sintra e reconquistar todos os adeptos e sócios do clube.

– Qual ou quais os apoios que a União de Freguesias oferece ao clube?

– Por disputar um campeonato semi-profissional, legalmente não é possível ao 1.º Dezembro receber apoios públicos para esse fim. No entanto, a União das Freguesias de Sintra apoia a restante atividade do clube, nomeadamente o futebol de formação e a equipa B, que milita na I Divisão da AFL, financeiramente e também com a cedência de transportes. De resto, em moldes rigorosamente iguais ao que fazemos em relação aos outros dois clubes de futebol da freguesia: o Sport União Sintrense e o Sporting Clube de Lourel.

– Acompanha o 1.º Dezembro no estádio?

– Nem sempre consigo ver os jogos do 1.º Dezembro ao vivo, porque é difícil conciliar a agenda pessoal, familiar e oficial, mas sigo sempre as transmissões do Canal 11. Aliás, o Canal 11 da FPF é uma excelente forma de propaganda para estes clubes e para o bom futebol que se pratica na Liga 3.

– Qual a importância para freguesia ter uma equipa a lutar pela subida à II Liga?

– Nesta altura, o 1.º Dezembro não tem as condições necessárias para disputar um campeonato tão profissional como o da II Liga, mas creio que o Concelho de Sintra, pela sua dimensão e importância merece, há muito, uma equipa ao mais alto nível. Para tal é necessário que surjam consensos e vontade política para a construção de um estádio municipal, como temos nas localidades vizinhas, por exemplo, de Mafra e Oeiras, ou como em Torres Vedras, em que a autarquia vai apostar numa infraestrutura desportiva para impulsionar a subida à primeira divisão. Ter um clube num dos mais altos patamares do futebol profissional é uma honra para qualquer concelho e, neste caso, para uma Freguesia como esta.

– Como estão as relações União Freguesias-1.º Dezembro?

– As relações com o clube são excelentes, aliás como acontece com todas as coletividades e associações da Freguesia. Temos muito orgulho no trabalho que fazem, em todas as modalidades, e pela forma como dignificam e representam esta União de Freguesias e os seus mais de 30.000 habitantes. Fazemos por ter uma relação de proximidade com todos os clubes e associações e as respetivas direções, estando sempre ao seu lado para ajudar a resolver os muitos problemas e carências que enfrentam.