O Festival “A cidade que queremos” vai instalar-se na Amadora, na próxima semana, com o objetivo de “imaginar cidades mais justas e sustentáveis”, refere a organização, a cargo da Associação Alecrim.
De 16 a 18 de maio, haverá concertos, espetáculos, debates e oficinas para pensar “a cidade que temos” e a “cidade que queremos”, numa combinação entre cultura e ecologia.
O festival assume um caráter comunitário e será desenvolvido em conjunto com as comunidades locais da Cova da Moura e de Alfornelos, dois bairros do concelho da Amadora considerados territórios vulneráveis.
“Há um estigma sobre estes territórios que é fruto da estereotipização da pobreza e destes territórios em específico, também por serem territórios com muitas pessoas negras”, assinala Andreia Galvão, presidente da Alecrim, associação que combina arte e ativismo climático.
“Queremos contribuir para desconstruir um bocado desse preconceito e para que as pessoas possam ir, sentirem-se seguras e verem que é um território normal, onde vivem pessoas normais, que têm as aspirações de uma pessoa normal”, realça, em declarações à Lusa.
A Alecrim tem feito atividades sobretudo em Lisboa e queria “fazer este debate sobre que cidade é que queremos a partir de uma periferia e não sempre a partir do centro”, explica Andreia Galvão.
“Temos sentido que os temas da ecologia quase se tornaram muito urbanos na forma como são abordados e, muitas vezes, não são trazidos à luz do que é a desigualdade social, do que é a estrutura da mobilidade na cidade”, justifica.
O festival está integrado num projeto financiado através da União Europeia, que arrancou em janeiro. Na primeira parte foi concebida a palestra-performance “Para onde foi o granizo?”, que circulou pelas escolas secundárias da Amadora.
Inteiramente gratuito (ainda que algumas atividades exijam inscrição prévia), o festival conta com a participação de cientistas, artistas e ativistas, entre os quais a música Catarina Branco, o grupo de batuque Finka Pé, o ator e comediante Mauro Hermínio, a escritora Gisela Casimiro e a investigadora Ana Drago.
O festival é dirigido ao público em geral, nas suas várias faixas etárias, e as atividades vão decorrer na associação cultural Moinho da Juventude, na Cova da Moura, e no Auditório de Alfornelos-Teatro Passagem de Nível.








