José Sequeira mantém-se à frente dos destinos do SU Sintrense/DR
José Sequeira vai avançar para o ato eleitoral do SU Sintrense que se realiza no próximo dia 27. Associado há 54 anos, 29 como dirigente e jogador do clube, o presidente do histórico emblema destapou aquilo que lhe vai na alma e falou num ritmo calmo, ponderado e assertivo sobre os mais diversos temas intimamente ligados ao clube do seu coração.
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– Como como nasceu a paixão pelo SU Sintrense? – Joguei no Sintrense, comecei com cinco anos nos juvenis, joguei na 2.ª e na 3.ª Divisão Nacional. Representei o Sintrense sempre com muito orgulho. 14 épocas. Sempre no Sintrense? Bom, quando sai do Sintrense acabei por ir jogar para o Mucifal que é a terra onde eu nasci. Os dirigentes da altura não me largavam e lá acabei por ir para o Mucifal. Inesquecível? Sem dúvida! Cheguei lá na última jornada da primeira volta e ganhámos o jogo e depois vencemos todos os desafios. Pela primeira vez o Mucifal subiu. Há quanto tempo? Há 40 e tal anos. Foram tempos extraordinários. Mucifal é muito especial, morei lá até aos 12/13 anos e depois vim para Sintra.
– Como avançou para o dirigismo no Sintrense? – Em 2010 vim para a direção do Sintrense na perspetiva de retribuir o orgulho de ter sido jogador do clube. Atenção que retribui mas também estou a receber. A «coisa» aconteceu quando um grupo de amigos com quem aqui joguei me desafiou para vir para cá. Na altura havia problemas de tesouraria e eu entrei como vice-presidente administrativo e financeiro. Estive nesse mandato até 2015. Quem era o presidente? Vítor Coelho, que era médico ortopedista. Como dirigente estou há 15 anos, cinco como vice e dez como presidente. As amizades que vinham de longe têm sido muito importantes. Tenho o Sintrense no coração!
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– Avancemos no tempo. Quais as perspetivamos de futuro? – Bom, no final deste mês vamos para eleições. Ganhámos coragem…
– E onde foi buscar o ânimo para enfrentar um novo mandato? – Costuma-se dizer que o voluntariado só faz sentido quando a pessoa está com gosto e motivado para novos desafios. Sinto motivação para continuar. Acredito que ainda posso fazer coisas pelo clube. Sinto que a nossa equipa de órgãos sociais é formada por pessoas com gosto e vontade para continuar no clube.
– Vão continuar todos os atuais 22 elementos dos órgãos sociais? – Falámos com todos, sem exceção, todos mostraram vontade em continuar mas dois deles recusaram por motivos de força maior. Um elemento reformou-se e foi viver para Trás-os-Montes e o outro entrou para a Associação de Futebol de Lisboa.
– Tem a lista formada? – Sim, claro, só temos as duas alterações que referi mas a coisa resolveu-se sem problema.
– Qual a duração do mandato? – Dois anos…
– Não é curto? – Sim, mas foi um dilema que nós tivemos e temos. Há cerca de seis anos discutimos essa questão mas mantivemos o período de dois anos, ficou decidido assim…
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– Fica nervoso a ver os jogos do seu Sintrense? – Tento não ficar, mas acabo por me enervar bastante. Não resisto, então se o jogo é decisivo e precisamos de ganhar… passo noite mal dormida quando as coisas não nos correm bem…
– Como está o futebol do clube? – O futebol sénior tem um investidor. Está a trabalhar as coisas para se reforçar no que for possível mas não será nada fácil. Desde que há Liga 3, a época passada no Campeonato de Portugal foi a mais difícil, a mais competitiva.
– Como é o dia-a-dia do presidente? Acompanha o clube? – Venho cá todos os dias. Gosto de acompanhar a vida do clube. O facto de estar reformado dá-me espaço de manobra para vir ao clube diariamente. A parte da gestão é também acompanhada diariamente, não podemos facilitar essa área. A gestão financeira é o meu o foco. E, por exemplo, uma coisa que não deixo passar são as luzes acesas… de vez em quando lá ando eu a apagar as luzes (sorrisos).
strong>- Como são as relações clube/SAD? – Está tudo muito bem. Eu vejo as coisas da seguinte forma: quem paga, manda. Temos de perceber que fizemos um protocolo com um investidor que está a definir regras. Temos de respeitá-las e colaborar ao máximo com a SAD para que não haja problemas. Só assim conseguimos alcançar o êxito. Disse em assembleia geral que só assumíamos compromissos que podemos cumprir e sempre considerando as despesas fixas. Sabíamos que existiam duas hipóteses ou íamos para o Distrital ou avançaríamos para um investidor, simples. Foi o que aconteceu para que respeitássemos todos os compromissos sem problemas. Nós, direção, só assumimos compromissos que podemos cumprir. Posso dizer que as dívidas no clube em 2010 eram perto de 500 mil euros. Desde há vários anos que não há dívidas nenhumas.
– Como foi possível? – Não houve nenhuma varinha mágica, foi a boa vontade de muita gente em contribuir para darmos a volta às dificuldades. Desde que estou na direção procurei acertar as coisas o mais e melhor possível, uma vez que era o financeiro. Aliás, quando eu era miúdo a minha mãe disse-me, “filho quando fores grande não sejas como o marquês de bronze ganha dez e gasta onze”. O meu compromisso e do clube é esse mesmo. Se temos dez só gastamos seis, sete ou oito…
– Sente-se um presidente acarinhado pela massa associativa? – Bom… acredite-se que nunca tive um confronto direto com este ou aquele sócio. Sei perfeitamente que não conseguimos agradar a toda a gente, mas nunca fui confrontado por este ou por aquele motivo. É bom sinal… Reformei-me da EDP há três anos onde estive 45 anos e felizmente as coisas sempre me correram bem em termos profissionais tal como aqui no clube. Já tinha experiência de trabalhar em equipa mas é diferente daquilo que encontrei aqui no clube. São ambientes diferentes, mas em ambos os casos tudo me correu bem. Aliás, não posso deixar de salientar que aqui tenho a vida facilitada. Porquê? As pessoas são espetaculares. Assim, tudo fica mais fácil.
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– O Sintrense respira saúde financeira… como é possível nos dias que correm? – Tivemos a sorte de em 2017 o Nélson Semedo ter saído do Benfica para o Barcelona. Foram quatro tranches de 110 mil euros. E quando foi do Barcelona para o Wolverhampton foram mais três tranches de 143 mil euros. Com estas verbas fizemos muitas obras boas, alavancou o clube para bons tempos. Fui um priviligiado por ter apanhado esta evolução financeira que nos permitiu este crescimento do clube.
– Há mais “Nélsons Semedos” na forja? – Eu gostava (sorrisos)… vamos ver… pode ser que surjam…
– Onde se amplicou esta injeção de capital? – Nos últimos anos as instalações foram substancialmente melhoradas. Sem dúvida, como foi o caso da bancada principal, do balneário n.º 3, junto campo de râguebi que estava em muito mau estado, das renovação das redes de proteção do campo n.º 2… à margem de estes três pontos surgem sempre pequenas coisas que se vão multiplicando.
– Ao que se deve o êxito do judo? O Judo foi no passado uma modalidade com grande impacto a nível nacional, tendo por diversos motivos sido interrompido à muitos anos. Em conversa com o sócio e judoca olímpico Renato Kobayashy nasceu a ideia de voltar a dinamizar o Judo no Sintrense e com trabalho e dedicação do mentor do projeto e com o nosso apoio, temos desde 8 de outubro de 2018, dezenas de judocas a treinar nas nossas instalações.
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– Quantos atletas estão ligados ao clube?
À volta de 500 atletas. Temos juniores, juvenis, iniciados, futebol feminino, que tem à volta de 80/90 jogadoras. Temos muitos diretores e gente ligada à área que tem uma importância fundamental para o êxito e vida do clube. Na época passada, no concelho de Sintra, só o Sintrense teve quatro estrelas no masculino e três no futebol feminino como entidade formadora.
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– Como está o futebol feminino?
– A adesáo é fantástica. Acredito que o ritmo é para ser mantido. Aqui na zona de Sintra há muitas raparigas a querer entrar no futebol… sinal dos tempos…
– SU Sintrense é motivo de orgulho?
– É um orgulho muito grande, muito grande mesmo…
Alguns melhoramentos desde 2017
BANCADA PRINCIPAL – Retirada das chapas no alçado principal; colocação de paredes em toda a bancada; colocação de camarotes; devido ao temporal a cobertura foi retirada.
REDES – As redes estavam em muito mau estado, mas mais critico ainda eram eventuais consequências resultantes de um acidente grave, pela queda da estrutura das redes para o interior do campo.
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MÁQUINAS SEMI INDÚSTRIAIS – Melhorar as condições de trabalho na rouparia, era também um objetivo antigo, pois funcionar com máquinas de lavar roupa domésticas com um elevado volume de utilização diário era uma missão difícil e um desgaste muito grande de material. Finalmente foi possível adquirir 2 novas máquinas semi-industriais.
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Reabilitação de balneários – Os três balneários no campo nº 2 que se encontravam em muito mau estado e foram remodelados na totalidade.