Sete candidaturas concorrem à Câmara de Sintra nas próximas eleições autárquicas, para suceder a Basílio Horta (PS), impedido de se recandidatar por limite de mandatos, com uma ex-governante a disputar o município com candidatos locais repetentes e deputados.
A antiga ministra Ana Mendes Godinho, 53 anos, candidata-se à câmara, numa coligação PS/Livre, com o antigo autarca socialista João Soares como cabeça de lista para a assembleia municipal.
“O concelho de Sintra está carregado de história, mas sobretudo carregado de histórias de vida. E os desafios que Sintra hoje enfrenta não se compadecem com soluções e proclamações populistas que cabem num espaço de 30 segundos no ‘Tik Tok’”, advogou a antiga ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
As prioridades passam pela habitação, com “10 mil casas no mercado a preços e rendas acessíveis” até 2030, uma “rede com mais seis mil novas vagas gratuitas em creches, espaços de amas comunitárias”, aumento de “vagas no pré-escolar” e o fim de portagens na A16 (Autoestrada CREL-Cascais) para residentes, trabalhadores e empresas do concelho, que estima custar 18 milhões de euros.
O antigo vereador social-democrata Marco Almeida, 55 anos, candidata-se pela terceira vez à câmara, com apoio do PSD, IL e PAN, acompanhado do antigo presidente da autarquia Fernando Seara para a assembleia municipal, de quem foi vice-presidente durante três mandatos.
Em 2013, encabeçou a lista independente “Sintrenses com Marco Almeida”, contra o PSD, sendo eleito vereador e cessando a filiação social-democrata, mas, em 2017, voltou a liderar a coligação “Juntos pelos Sintrenses”, de PSD, CDS-PP, PPM e MPT, perdendo para Basílio Horta.
O ex-autarca recusa que o município suporte a isenção de portagens na A16, contrapondo com aumento de horários e circuitos da Carris Metropolitana, avaliação de participação numa futura concessão do serviço ferroviário e um plano de saúde para munícipes sem médico de família.
Desta vez, na sequência da coligação do PSD com a IL, o vereador Maurício Rodrigues, 54 anos, anunciou a candidatura à câmara pelo CDS-PP, apoiado pelo PPM e ADN.
O também jurista explicou, em comunicado, que o município merece “libertar-se de um projeto pessoal que se arrasta há mais de 16 anos – ora sozinho, ora com partidos, ora com coligações de matriz indefinida”.
O autarca defende que o município alugue habitações para subarrendar a quem necessita, e isenção de portagens na A16, mas em Ranholas, para facilitar acesso a Cascais.
O vereador Pedro Ventura, 48 anos, recandidata-se pela CDU à câmara, ambicionando “reforçar” a votação na coligação PCP/PEV pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido e apostando na requalificação urbana, habitação e limpeza e higiene pública.
O candidato lamentou que “todas as forças políticas, à exceção da CDU”, tenham aceitado “sempre com uma grande passividade” as “competências da administração central em várias áreas, e o gasto dos 68 milhões de euros no Hospital de Proximidade de Sintra”, numa obra inicialmente estimada em 25 milhões para a câmara.
O autarca anunciou que o PCP apresentará no parlamento uma proposta para isenção de portagens na A16, mas defende o mesmo para a CREL, à semelhança das ex-Scuts e da A22 (Algarve), reivindicando também remodelações de estações da Linha de Sintra.
A deputada Rita Matias, 26 anos, candidata-se pelo Chega, sucedendo a Nuno Afonso, candidato nas anteriores autárquicas, que se desfiliou em 2023 e passou a vereador independente.
A candidatura do partido de extrema-direita, nas redes sociais, defendeu por tópicos “habitação digna, com soluções reais para quem vive e trabalha no concelho” ou “segurança, com ruas mais protegidas e respostas eficazes para os cidadãos”, assim como remodelação de estações ferroviárias e um programa de regresso de imigrantes para o país de origem.
A médica e dirigente sindical Tânia Russo, 44 anos, concorre pelo BE, defendendo um município “mais solidário e sustentável”, com prioridade na habitação, limpeza urbana e transportes públicos, contra o ódio e intolerância.
A também deputada municipal explicou que, além de mobilizar casas devolutas para o parque público, a câmara deve fazer “um esforço junto dos proprietários para os apoiar na reabilitação”, para “depois colocar essas casas no mercado de arrendamento de longa duração” e aumento do investimento na habitação pública.
Por seu turno, o gestor Júlio Gourgel Ferreira, 37 anos, candidato pela Nova Direita, elege entre as principais bandeiras a habitação, defendendo a construção modular, que “não vai solucionar (…) por completo”, mas pode “ajudar a mitigar o problema”.
Na segurança, considerou que o problema só pode ser resolvido “dando condições à polícia” e também à polícia municipal, que “tem de ser uma carreira mais atrativa, para que se possa ter “mais polícias a patrulhar as ruas”.
O executivo da Câmara de Sintra, presidido por Basílio Horta, que cumpriu três mandatos e não se pode recandidatar, é composto por cinco eleitos do PS, três do PSD, um do CDS-PP, um da CDU e um independente (ex-Chega).
As eleições autárquicas, recorde-se, realizam-se em 12 de outubro.








