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O Impacto do Sistema Volta na Higiene Urbana

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O Sistema de Depósito com Reembolso (SDR), em vigor desde abril de 2026, alterou as rotinas do espaço público:

  • O lado positivo: Há uma limpeza informal muito ativa de valas, caminhos, linhas de comboio e terrenos baldios, onde embalagens abandonadas são recolhidas rapidamente para serem convertidas em dinheiro, ajudando a limpar zonas historicamente propensas a resíduos dispersos.

  • O lado problemático (Lixo Remexido): O fenómeno de pessoas a abrir e a revirar ecopontos e contentores para encontrar embalagens com o selo “Volta” é uma realidade. Em julho de 2026, várias autarquias da Grande Lisboa já tinham alertado para o facto de esta busca resultar, frequentemente, em lixo e sacos rasgados espalhados pelo chão, degradando a higiene urbana.

Há Casos na Amadora?

Sim, e com forte visibilidade. A Amadora é o município com maior densidade populacional de Portugal, o que gera uma enorme quantidade de resíduos diários e, consequentemente, atrai quem procura o reembolso do sistema.

  • Zonas Críticas: Os casos concentram-se fortemente nas imediações das estações ferroviárias (Amadora e Reboleira), em eixos comerciais densos (como a Venda Nova ou a Damaia) e junto aos grandes hipermercados do concelho, onde estão instaladas as máquinas de devolução.

  • A Realidade Local: Sendo um concelho predominantemente urbano e vertical (prédios), a maior parte dos contentores de resíduos está à superfície nas calçadas. Isto facilita o acesso de quem procura as embalagens, tornando o problema do lixo espalhado em redor dos ecopontos um desafio constante para os serviços de higiene urbana da Câmara Municipal da Amadora. A procura divide-se entre pessoas em situação de grande vulnerabilidade económica e redes informais que tentam acumular grandes volumes de vasilhame.

Há Casos em Sintra?

Sim, com impactos diferentes consoante a freguesia. Sintra é o segundo concelho mais populoso do país e caracteriza-se por uma enorme disparidade geográfica (grandes zonas urbanas e extensas zonas rurais/costeiras).

  • Zonas Urbanas (Linha de Sintra): Em grandes agregados urbanos como Queluz, Agualva-Cacém, Rio de Mouro e Algueirão-Mem Martins, o cenário assemelha-se ao da Amadora. A densidade populacional faz com que os contentores fiquem rapidamente cheios de embalagens, tornando-os “alvos” frequentes. Há relatos frequentes de contentores e caixotes remexidos perto das estações de comboio e de zonas habitacionais densas.

  • Zonas Verdes e Praias: Por outro lado, em zonas como a Serra de Sintra, a Vila Histórica ou as praias (Magoito, Praia das Maçãs), o impacto tem uma vertente mais positiva. O incentivo dos 10 cêntimos fez com que o lixo deixado por turistas e visitantes seja recolhido de forma quase imediata por cidadãos locais, diminuindo a pegada ecológica nesses pontos turísticos.

  • Desafio Logístico: A recolha de resíduos em Sintra (gerida pelos SMAS de Sintra) já enfrentava desafios devido à dispersão do concelho. A necessidade de limpar o lixo deixado fora dos contentores por quem procura o vasilhame “Volta” veio acrescentar uma pressão extra às equipas de limpeza urbana, sobretudo nos grandes centros urbanos da Linha de Sintra.