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Antigos tanques do Cacém dão lugar a um terreno vazio e levantam questões sobre o futuro

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Foto: Carla Serra
Antes. DR
Agora.
Foto: Carla Serra

Construídos em 1956, os tanques da Rua de São José faziam parte da história da localidade. A sua demolição volta a colocar em debate a preservação da memória coletiva e a necessidade de conciliar o crescimento urbano com a qualidade de vida dos moradores.

Na Rua de São José, no Cacém, o espaço onde durante décadas estiveram os antigos tanques públicos apresenta agora um terreno desocupado, rodeado por barreiras de obra e vestígios da estrutura que ali existia.

Construídos em 1956 para servir a população, os tanques fazem parte da memória de várias gerações de moradores. Apesar de o edifício se encontrar degradado nos últimos anos, o seu desaparecimento representa o fim de uma etapa da história local e suscita curiosidade sobre o futuro daquele espaço.

A intervenção levanta também algumas questões sobre a informação disponibilizada à população. Nas imediações, um edifício vizinho tinha afixado um aviso de demolição, não tendo sido identificado, segundo a observação feita no local, um aviso semelhante relativo aos tanques. Será importante esclarecer as circunstâncias da intervenção e perceber se existiu alguma avaliação do interesse histórico ou patrimonial da estrutura.

Mas a principal questão é, agora, saber o que está previsto para o terreno da Rua de São José.

Num concelho onde a procura de habitação continua a ser uma preocupação, a construção de novos fogos pode representar uma resposta a necessidades reais. No entanto, o desenvolvimento urbano deve ser acompanhado por infraestruturas, equipamentos e serviços públicos capazes de responder ao crescimento da população.

No Cacém, importa continuar a investir nas acessibilidades, na capacidade das escolas, nos cuidados de saúde e na criação de espaços verdes e zonas de lazer. São fatores essenciais para garantir que o crescimento da cidade se traduz em melhores condições de vida para quem já lá reside e para quem venha a instalar-se no futuro.

A construção de habitação e a qualidade do espaço urbano não têm de ser objetivos incompatíveis. Com planeamento e investimento nas infraestruturas necessárias, é possível conciliar o desenvolvimento com a preservação da identidade das localidades.

O desaparecimento dos antigos tanques da Rua de São José constitui, por isso, uma oportunidade para refletir sobre a importância de preservar referências históricas, mesmo quando deixam de ter a sua função original, e de valorizar a memória das comunidades.

Qual será, então, o futuro daquele terreno? O esclarecimento dos planos previstos para o local pela Câmara Municipal de Sintra e pela Junta de Freguesia de Cacém e São Marcos permitirá aos moradores conhecer melhor os objetivos da intervenção e acompanhar a evolução daquele espaço.

Mais do que olhar apenas para o que desapareceu, importa agora perceber o que poderá nascer naquele local e de que forma o futuro projeto poderá contribuir para um Cacém mais equilibrado, com habitação, serviços e espaços públicos adequados às necessidades da população.